Matte cultural: Antes isso aqui era tudo matte….

Matte cultural: Antes isso aqui era tudo matte….

Matte cultural. O Matte em todos os cantos, de todas as formas, passado, presente e futuro.

Matte sua sede de cultura: essa é a chamada do Projeto @mattecultural 

Então se você quer entender mais sobre isso, leia até o final e não se esqueça de sempre estar atento(a) nos próximos artigos pelo nosso blog: Chimatearia/blog

Pronto(a) ? Vamos lá!

“Antes isso aqui era tudo matte!”

Essa frase que virou paródia para alguém demonstrar sua larga vivência em um lugar se aplica perfeitamente quando pensamos na história do Paraná. 

Se imaginarmos que as cifras arrecadadas pela erva-mate chegaram a representar 85% do valor total fica fácil entender o porquê do termo ouro verde.

Buscar fatos antigos e contextualizar com reflexões plausíveis é uma maneira que o projeto Matte Cultural encontrou para entender quem é o paranaense.

É óbvio que a erva-mate é produzida e consumida em outros estados e países, mas a grande questão é outra. 

O paranaense não sabe que é o maior produtor de erva-mate do mundo. E também não sabe praticamente nada sobre o passado da sua terra e que ela foi emancipada de São Paulo por conta do poder ervateiro. 

Também precisa saber que o ramo da bandeira se trata de erva-mate e NÃO café. Nesse ponto ainda defendemos o leigo por conta da péssima retratação da Ilex.

A Ilex paraguariensis

A Ilex paraguariensis que foi catalogada há 200 anos pelo naturalista francês Saint Hilaire também foi chamada de Ilex por outro botânico, o inglês John Miers

Mas neste último caso estendeu o nome com Ilex curitibensis para designar a região. Isso porque era próximo da capital que o matte rolava solto. 

E que os campos curitibanos eram imensos, mais que a região metropolitana atual. O Paraná ainda não nascera. Um território brasiguaio era conhecido como Paraguaria. 

Sim, as divisões políticas estão em constantes alterações e conhecer as origens é sempre importante.

Ciudad Real del Guayrá.

Sabemos pouco sobre as ocorrências na América Subtropical antes do colonizador chegar. O envolvimento indígena com a planta deixou algumas evidências de 3 mil anos atrás. Mas provavelmente se remonta a outros milhares de anos antes. 

Hábitos sagrados, folhas mascadas e polêmicas infusões, pois não há provas concretas. O respeito das etnias legítimas e nativas para com a natureza é claramente muito superior quando comparado com o europeu. 

Conceder o pertencimento ancestral da terra também é importante. Pedir essa licença a tanta gente que já viveu antes destrava e desenrosca. A inclusão é fundamental. 

Dando a mão à palmatória, é preciso dizer que a influência dos jesuítas trouxe um desenvolvimento extraordinário no beneficiamento e maneiras de consumo do mate. 

Os descendentes dos países hispânicos são amantes del mate hasta hoy. Expulsando os caras para o Sul, os bandeirantes deram outra tocada para a região do atual Paraná, pois as terras estavam quase todas à esquerda de Tordesilhas e portanto pertenciam à Coroa da Espanha. 

Aqui no oeste do estado é que fundaram a Ciudad Real del Guayrá.

O movimento gerado pelos Barões do Mate foi esplendoroso por um lado: de feitos importantes, como a Estrada da Graciosa e a Estrada de Ferro Curitiba – Paranaguá, obras executadas para o escoamento do principal produto local.

 

A construção da Primeira Universidade do Brasil. Belos palacetes que deixam Curitiba imponente. 

Mas de outro lado formavam uma pequena elite que não soube manter o legado e nem tampouco enraizar e tornar um produto típico para o seu povo.

Há indício de uma casta soberba que combatia a rusticidade do chimarrão (criaram um produto genuíno e saboroso que é o mate tostado) e que tinha padrão de luxo em suas vidas, inventava licores e preferia xícaras rococós

O problema é que não deixou legado na sociedade. Parecia apenas uma oportunidade mercantilista vender erva, não existia um vínculo verdadeiro com a planta. 

O comércio caiu e arruinou o setor. Assim como os Barões tiveram êxito na construção de um império, me parece óbvia a participação deles para a derrocada. 

Faltou identificação cultural com a Ilex. O curitibano tem números baixos de consumo e números altíssimos no desconhecimento da erva curitibensis.

Restaurar a história do Paraná e preencher a lacuna cultural é o que originou e motiva a existência do nosso projeto. Um povo que não sabe de onde veio não sabe para onde ir.

Texto por André Zampier – Matte Cultural

 

Sobre André Zampier

André Zampier é apaixonado pela erva-mate e está estudando a planta em seu macrocosmos desde 2013.

O ambiente familiar possibilitou interagir com a ilex desde criança, mas depois de adulto compreendeu a importância que o matte representa para a América do Sul e principalmente o Paraná, seu estado natal.

Empresário e produtor cultural, desenvolve 2 projetos que buscam a restauração da história e inovação do setor ervateiro: Matte Cultural e Matte N’ Roll. Sempre com 2 tesão, como ele mesmo diz. A escrita remete ao passado próspero e cria uma palavra forte e única.

Pesquisador entusiasmado que pensa fora da cuia, realizou e participou de muitos eventos propagando a enaltecendo a erva-mate, tanto em Curitiba como no interior do estado do Paraná.

Acredita que seja necessário conhecer a história para consolidar a identidade do paranaense, compreendendo quais foram os grandes feitos positivos, mas também os negativos, para assim poder criar uma cena consistente e próspera do ouro verde.

Conclusão 

André Zampier foi um dos nossos convidados para os podcasts no canal do youtube: Chimatearia / Youtube

Foi um imenso prazer pelo time da Chimateria recebê-lo e compartilhar todas essas experiências.

Você pode ver o bate-papo completo pelo nosso canal do youtube: Chimatearia/youtube

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Até o próximo!

Um pouco das imagens para você entender;

Estrada de ferro

Estrada da Graciosa

Palacete dos Leões. Espaço Cultural BRDE.

Graciosa 

Acervo Extinta

Este post tem um comentário

  1. Waldemar

    Sobre o Palacete dos Leões!

    Arquitetura e requinte, é retrato da prosperidade e das transformações que o chamado “ouro verde” ou ciclo ervateiro, trouxe para Curitiba!

    Parabéns Andre pela sua dedicação. Um abraço do Waldemar Geteski (Guarapuava PR).

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